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Paulo Fatela

Blog sobre artes, ofícios, paixões e diversas questões

Paulo Fatela

Blog sobre artes, ofícios, paixões e diversas questões

Bienal de Artes de Coruche - 2015

 

Terminei mais um projeto “Bienal de Artes Plásticas de Coruche – 2015 – percursos com arte / envolvências locais”.

Reproduzo aqui o texto que escrevi para o catálogo da bienal de artes plásticas – 6ª edição.

 “A iniciativa Envolvências Locais, tal como na 5.ª edição da Bienal de Coruche – Percursos com Arte, surge para dar protagonismo a artistas locais e envolver a comunidade em geral.

 Com o propósito de envolver a comunidade (450 colaboradores / 20 instituições) surge a intervenção artística “Vestida de Lobeira”, desenvolvida considerando a importância da dicotomia identidade / inovação. Uma intervenção artística em malha, cuja matriz é a tradicional manta lobeira, expressa em 2 594 revestimentos de diversos elementos da praça da Liberdade e largo do Pelourinho.

 Os colaboradores vão desde os 3 aos 89 anos de idade, ou seja, as peças foram pensadas com o objetivo de todos poderem contribuir, desde o simples pompom ao revestimento com maior grau de dificuldade, e que fosse, também, um desafio para o próprio executante. Foram utilizados 900 novelos e 171 000 m de fio.

 “Encontrar o fio à meada” é uma expressão vulgarmente utilizada mas que faz todo o sentido para apresentar o Espaço Malhas. É um local onde estará alguma informação sobre a história dos lanifícios, processos de produção, peças que identificam a nossa cultura, referências à intervenção “Vestida de Lobeira”. A partir do desenvolvimento desta intervenção surgiu a curiosidade sobre o que está aquém e além do fio. Na expectativa de também criar curiosidade no público sobre esta matéria, o Espaço Malhas pretende ter uma dinâmica de interação de transferência do saber fazer e de consciencialização da importância da nossa identidade. Para além desta vertente, pretende-se que seja um espaço de encontro, de trabalho em malha onde estarão previstas duas sessões com artesãs da região.

Nesta edição o enfoque acontece também no âmbito da fotografia, considerando o interesse local por esta forma de expressão artística. Com o advento da fotografia digital muitos paradigmas fotográficos foram alterados. Com aparelhos mais simples de manipular e os programas de edição de imagem, a fotografia tornou-se mais acessível e popular. Irão estar expostas fotografias de 20 autores, ao longo do percurso definido para o evento, sobre a temática genérica “Coruche”.

A propósito de fotografia e de algumas vertentes de produções com fios, em termos mais convencionais/tradicionais e contemporâneas, haverá lugar a um colóquio sobre estas temáticas, com o contributo de José Fabião ( fotografo e gestor Pedagógico – Cursos de Fotografia na Escola Tecnológica, Inovação e Criação), Rosa Pomar (investigadora na área das malhas, bloger, autora do livro “História das Malhas Portuguesas”), Patrícia Simões e Tiago Custódio (autores do projeto neofofo – revestimento com tricot de calçada portuguesa).

Garantida está a envolvência de todos aqueles que deram de si em prol desta iniciativa, pelo que acreditamos ser um contributo interessante para a 6ª edição da Bienal de Coruche – Percursos com Arte. O desejo de fruição deste evento está explicito, contudo também há vontade de que sejam apreendidas algumas mensagens, nomeadamente a defesa das nossas tradições como património cultural, que criaram valor no passado e que pode e deve alavancar o nosso presente e futuro, de forma a afirmamos a nossa identidade face à globalização preponderante. “

Foram 9 meses de árdua jornada, trabalhei 11 e 12 horas por dia, acumulei funções, meses sem fins de semana, fiz tudo e de tudo, de criativo a assistente operacional, literalmente TUDO.

Agora é hora de retemperar forças, processar informação colhida ao longo deste período, fazer introspeção, de me fortalecer face às adversidades inerentes ao processo, sobretudo a mais densa, o não reconhecimento, salvo dos colaboradores e o público em geral, de quem recebi as mais diversas provas de apreço, alguém me disse “os seus pais onde estiverem devem sentir muito orgulho em si”, foi marcante esse momento. Contudo assiste-me uma enorme tranquilidade, talvez pelo fato da concretização dos objetivos ser inerente ao meu espírito de missão.

Aguardo o “CLIQUE” , sem ansiedade,   no sentido de perceber o rumo que deverei seguir, face à necessidade premente de desenvolver algo criativo.